2011-03-30

A brincar a brincar...

Para começar, a cor e o símbolo. Porquê o laranja? Os fundadores do partido fizeram um sorteio de cores com os restantes líderes políticos e perderam?  O laranja nunca é primeira escolha. Os Países Baixos pretendiam usar um bonito amarelo como sua cor nacional, mas o pigmento encomendado das Antilhas oxidou durante a travessia do Atlântico e, gente poupada que são, não tiveram coragem de o desperdiçar. A única explicação aceitável é que a cor tenha sido escolhida para maximizar a visibilidade do partido quando este andar à boleia pela berma da estrada a meio da noite. E será perfeitamente natural que o faça, tratando-se de um partido que perdeu o último autocarro, não sabe mandar parar um táxi e que, seja como for, nem sequer sabe muito bem para onde vai e prefere que o levem. Quanto ao símbolo, podem fingir que não é fálico e até podem convencer alguém. Não se contentando com um símbolo fálico, acharam que seriam melhor representados por três, uns atrás dos outros.
Que dizer de um partido em que as duas figuras mais relevantes e mais vezes citadas são antigos líderes mortos há décadas? Há uma fronteira muito ténue entre a inspiração e a necrofilia intelectual. Se alguém olhar a fotografia acima e pensar “mas o Cavaco não morreu”, recomenda-se visionamento de imagens de qualquer actividade presidencial recente. Às vezes, os movimentos cadavéricos e a fala podem enganar.
Mas também há grandes vultos políticos actuais no PSD, dirão alguns. Ai há? Santana Lopes e Marcelo Rebelo de Sousa, por exemplo? É preocupante que um partido deposite a sua confiança na orientação de alguém como Santana Lopes ou Marcelo Rebelo de Sousa. É incompreensível que o façam ou mesmo que ponderem fazê-lo mais do que uma vez, sobretudo quando os mesmos provaram já a sua total ineficácia e deixaram claro que têm mais a ganhar com a liderança do partido do que poderão oferecer-lhe. No caso de Marcelo, uma eventual liderança do PSD concede-lhe púlpito para ouvir a sua própria voz (começará a não ter espaço em casa para arrumar gravações das suas intervenções televisivas, que vê todas as noites enquanto unta o corpo nu com compota de cereja). No caso de Santana, é mais um cargo para a colecção, mesmo que seja repetido. Sabe-se que não há cinquentona oxigenada da Linha que resista a uma valente dose de poder concentrado.

Um partido que se diz de direita e tem um jornal oficial chamado “Povo Livre” e um hino que clama por “paz, pão, povo e liberdade” faz pensar em meninos finos que os paizinhos não deixaram militar no MRPP e que tiveram de fundar um partido de ideais inofensivos para poderem brincar à vontade aos políticos sem perder a mesada.
As enxurradas na Madeira duraram horas. O governo de Alberto João Jardim dura há 32 anos e sem fim à vista.

Roubado em www.inepcia.com

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